O estudo Dimensões Criativas e Psicossociais da Livre Improvisação entre Estudantes da Escola de Música do Estado de São Paulo, financiado pela FAPESP, investigará as dimensões criativas, psicológicas e sociais da livre improvisação, buscando compreender de que maneira essa prática poderá contribuir para o desenvolvimento da criatividade, da autoconfiança, da autoestima, da colaboração musical e da redução da ansiedade relacionada à performance. A pesquisa pretende oferecer novos insights a pesquisadores e educadores, possibilitando uma compreensão mais aprofundada dos benefícios e desafios da livre improvisação na formação musical, bem como o aprimoramento de métodos pedagógicos e o desenvolvimento de estratégias mais eficazes para o ensino e a aprendizagem da música. No campo educacional, os resultados deverão fornecer subsídios concretos para a reformulação de currículos, o aperfeiçoamento das práticas pedagógicas e a qualificação docente, propondo abordagens mais inclusivas, humanizadas e eficazes para o ensino de música. Além disso, o estudo contribuirá diretamente para a promoção da Educação de Qualidade (ODS 4), especialmente no fortalecimento de competências profissionais e na formação de professores mais preparados para estimular processos criativos, críticos e emancipatórios.

Metodologicamente, o estudo será desenvolvido a partir de duas frentes complementares: uma teórica e outra empírica. A frente teórica consistirá em uma revisão sistemática da literatura, orientada pelo protocolo PRISMA-P, com o objetivo de identificar, analisar e sintetizar as principais perspectivas, metodologias e debates sobre a livre improvisação em contextos educacionais e artísticos, tanto no cenário nacional quanto internacional. Já a frente empírica será conduzida por meio de uma pesquisa baseada na prática (practice-based research), realizada com estudantes da Escola de Música do Estado em dois eixos analíticos principais. O primeiro eixo examina os potenciais educacionais através de quatro dimensões transversais: (a) perceptiva e corporal, focada na escuta, cognição e engajamento físico; (b) psicológica e cognitiva, centrada nos processos afetivos e no pensamento; (c) política e filosófica, relacionada à agência e às dinâmicas de poder; e (d) pedagógica, orientada para as ecologias de aprendizagem. O segundo eixo concentra-se nos limites da livre improvisação, discutindo seus principais obstáculos e desafios educacionais.

A investigação evidenciou que a prática pode favorecer o desenvolvimento da criatividade, da autonomia, da escuta sensível, da colaboração e da expressividade musical, além de contribuir para a redução da ansiedade de performance e o fortalecimento da autoconfiança e do autoconceito musical dos estudantes. Ao mesmo tempo, os estudos revisados apontam desafios importantes, como a permanência de modelos pedagógicos excessivamente tecnicistas, a insegurança inicial dos participantes diante de práticas abertas e a necessidade de formação docente específica para a condução desses processos. De modo geral, a revisão demonstra que a livre improvisação constitui uma ferramenta pedagógica potente para a construção de práticas musicais mais inclusivas, dialógicas e humanizadas, capazes de promover não apenas o desenvolvimento técnico, mas também a formação integral do músico.